LinkedIn cria botão para denunciar “AI slop”

A rede social de carreiras, que é a mais afetada por textos de IA, está travando uma guerra contra posts robotizados. Entenda a nova função

Por Leo Caparroz 3 ago 2026, 12h00 | Atualizado em 3 ago 2026, 16h31
Um smartphone branco exibe um menu pop-up com opções: Send, Connect, Seems like AI slop, Report comment e I dont want to see this. Abaixo, a barra de navegação inclui Home, Network, Jobs, Video e More
 (Montagem sobre reprodução (fotos: LinkedIn e vector_corp/Magnific)/VC I.A.)
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LinkedIn cria botão para denunciar “AI slop” Priorizar nos meus resultados Google

Você já parou pra reparar quantos posts no LinkedIn parecem ter saído direto do ChatGPT, com aquele tom de “reflexão profunda sobre liderança” que ninguém pediu? Pois a própria plataforma admite que o problema os incomoda também.

Nesta quinta-feira (30), o LinkedIn anunciou um novo botão que permite aos usuários marcar um post como “seems like AI slop” (parece lixo gerado por IA). A opção aparece no menu de três pontinhos de cada publicação.

“AI slop é uma prioridade máxima para todos nós. Nos importamos genuinamente com isso. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com pessoas reais e compartilhar suas perspectivas, ideias e conhecimentos reais”, escreveu Hari Srinivasan, diretor de produtos do ecossistema LinkedIn, em post na própria plataforma anunciando as mudanças.

A escala do problema aparece nos números que o próprio executivo divulgou. “Todos os dias estamos capturando centenas de milhares de tentativas de comentários automatizados, e bloqueamos bilhões de outras tentativas de automação só nos últimos meses”, afirmou Srinivasan.

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Para dar conta disso, a rede está “ampliando uma série de classificadores novos e aprimorados” que vão reduzir a presença desse tipo de conteúdo nas recomendações de fora da rede de contatos de cada usuário. O objetivo desse filtro parece ser identificar automaticamente se um post é raso ou gerado por IA.

O botão existe para ajudar a melhorar esses filtros, não é só desabafo do usuário. Segundo Srinivasan, “slop é difícil de definir e a definição muda”, e é justamente por isso que deixar o usuário sinalizar um post ajuda a “calibrar os modelos e fazer feeds melhores”.

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A empresa também vai testar um aviso privado, direto no painel de análise de quem publica, quando outros usuários acharem o post pouco autêntico ou com uso pesado demais de IA. Aqui o executivo faz questão de separar os conceitos: “IA e slop não são a mesma coisa; muita gente refina os próprios pensamentos com IA, e acreditamos que essas pessoas querem saber quando soam inautênticas”. A ideia, diz ele, é que o feedback venha “de humanos reais, não só de um detector de IA que pode errar”.

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Por que todo mundo usa IA pra escrever

O próprio LinkedIn resolveu se fazer essa pergunta: por que as pessoas insistem em postar textos de IA? A resposta interna, segundo Srinivasan, é que “o LinkedIn não é um lugar de poucas palavras”, e isso faz o usuário se sentir mais confiante rodando o texto por uma IA antes de publicar.

A partir dessa constatação, a rede aposentou a função “enhance your post”, que reescrevia publicações inteiras com IA, e a substituiu por uma ferramenta que só corrige o texto, sem alterar a voz de quem escreve.

Que o LinkedIn era uma rede dominada por posts artificiais não era segredo para ninguém. Semana atrás, a VC I.A. falou sobre uma pesquisa da empresa de detecção de IA Pangram, que denunciou o LinkedIn como a rede com mais posts feitos por IA. Segundo ela, 40% dos posts longos e 30% dos posts curtos na rede foram identificados como totalmente gerados por inteligência artificial. Isso é prova do “brainrot corporativo” que tomou conta do feed.

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Diferentes sites já confirmaram o funcionamento do botão em testes próprios. Por enquanto, a função ainda não apareceu para mim. Um detalhe curioso é que o LinkedIn resolveu abraçar o termo “AI slop”, ao invés de optar por um eufemismo que suavize o problema. “AI slop” é uma referência à lavagem, restos de comida usado para alimentar porcos. A comparação mostra que nem os textos e nem a ração tem valor, só existem para saciar a necessidade de alimentar animais ou o feed.

Srinivasan disse que o pacote de mudanças ainda amplia a verificação de perfis e páginas, “para que os membros saibam com quem estão se conectando e quem está escrevendo o conteúdo que estão lendo”, e cria a opção de bloquear comentários de páginas de empresas que o usuário não quer mais ver. Ele também avisou que “tem mais por vir” na guerra do LinkedIn contra o AI slop.

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LinkedIn é a rede com mais posts escritos com IA

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