LinkedIn cria botão para denunciar “AI slop”
A rede social de carreiras, que é a mais afetada por textos de IA, está travando uma guerra contra posts robotizados. Entenda a nova função
Você já parou pra reparar quantos posts no LinkedIn parecem ter saído direto do ChatGPT, com aquele tom de “reflexão profunda sobre liderança” que ninguém pediu? Pois a própria plataforma admite que o problema os incomoda também.
Nesta quinta-feira (30), o LinkedIn anunciou um novo botão que permite aos usuários marcar um post como “seems like AI slop” (parece lixo gerado por IA). A opção aparece no menu de três pontinhos de cada publicação.
“AI slop é uma prioridade máxima para todos nós. Nos importamos genuinamente com isso. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com pessoas reais e compartilhar suas perspectivas, ideias e conhecimentos reais”, escreveu Hari Srinivasan, diretor de produtos do ecossistema LinkedIn, em post na própria plataforma anunciando as mudanças.
A escala do problema aparece nos números que o próprio executivo divulgou. “Todos os dias estamos capturando centenas de milhares de tentativas de comentários automatizados, e bloqueamos bilhões de outras tentativas de automação só nos últimos meses”, afirmou Srinivasan.
Para dar conta disso, a rede está “ampliando uma série de classificadores novos e aprimorados” que vão reduzir a presença desse tipo de conteúdo nas recomendações de fora da rede de contatos de cada usuário. O objetivo desse filtro parece ser identificar automaticamente se um post é raso ou gerado por IA.
O botão existe para ajudar a melhorar esses filtros, não é só desabafo do usuário. Segundo Srinivasan, “slop é difícil de definir e a definição muda”, e é justamente por isso que deixar o usuário sinalizar um post ajuda a “calibrar os modelos e fazer feeds melhores”.
A empresa também vai testar um aviso privado, direto no painel de análise de quem publica, quando outros usuários acharem o post pouco autêntico ou com uso pesado demais de IA. Aqui o executivo faz questão de separar os conceitos: “IA e slop não são a mesma coisa; muita gente refina os próprios pensamentos com IA, e acreditamos que essas pessoas querem saber quando soam inautênticas”. A ideia, diz ele, é que o feedback venha “de humanos reais, não só de um detector de IA que pode errar”.
Por que todo mundo usa IA pra escrever
O próprio LinkedIn resolveu se fazer essa pergunta: por que as pessoas insistem em postar textos de IA? A resposta interna, segundo Srinivasan, é que “o LinkedIn não é um lugar de poucas palavras”, e isso faz o usuário se sentir mais confiante rodando o texto por uma IA antes de publicar.
A partir dessa constatação, a rede aposentou a função “enhance your post”, que reescrevia publicações inteiras com IA, e a substituiu por uma ferramenta que só corrige o texto, sem alterar a voz de quem escreve.
Que o LinkedIn era uma rede dominada por posts artificiais não era segredo para ninguém. Semana atrás, a VC I.A. falou sobre uma pesquisa da empresa de detecção de IA Pangram, que denunciou o LinkedIn como a rede com mais posts feitos por IA. Segundo ela, 40% dos posts longos e 30% dos posts curtos na rede foram identificados como totalmente gerados por inteligência artificial. Isso é prova do “brainrot corporativo” que tomou conta do feed.
Diferentes sites já confirmaram o funcionamento do botão em testes próprios. Por enquanto, a função ainda não apareceu para mim. Um detalhe curioso é que o LinkedIn resolveu abraçar o termo “AI slop”, ao invés de optar por um eufemismo que suavize o problema. “AI slop” é uma referência à lavagem, restos de comida usado para alimentar porcos. A comparação mostra que nem os textos e nem a ração tem valor, só existem para saciar a necessidade de alimentar animais ou o feed.
Srinivasan disse que o pacote de mudanças ainda amplia a verificação de perfis e páginas, “para que os membros saibam com quem estão se conectando e quem está escrevendo o conteúdo que estão lendo”, e cria a opção de bloquear comentários de páginas de empresas que o usuário não quer mais ver. Ele também avisou que “tem mais por vir” na guerra do LinkedIn contra o AI slop.





