Com a nova geração de inteligência da Apple, a Siri finalmente virou uma assistente de IA

A chegada do iOS 27 vai tirar anos de atraso da Apple com uma repaginada na Siri: ela vai entender seu contexto pessoal, ver sua tela, ter escrita nativa e mais

Por Leo Caparroz 17 set 2026, 15h00 | Atualizado em 17 set 2026, 22h16
Smartphone com tela escura exibindo Hey Siri e o ícone colorido da assistente virtual, além de ícones de lanterna e câmera na parte inferior. Ao fundo, fones de ouvido brancos.
 (omid armin/Unsplash)
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A Siri chegou ao iPhone em 2011, antes do Google Assistente, antes da Alexa, e antes de qualquer um imaginar que o ChatGPT poderia exister. Só que os anos passaram e, apesar da vantagem inicial, a assistente da Apple ficou (muito) para trás. Hoje, ela ainda parece bastante primitiva em comparação com os muitos rivais de IA generativa que agora enfrenta.

Com o iOS 27, a Apple tenta virar esse jogo. A assistente recebeu um nome novo, Siri AI, e uma lista de recursos que a aproximam, enfim, do que se espera de uma IA generativa em 2026.

Esses novos recursos estão chegando no seu iPhone junto com o iOS 27. Vale um adendo: só aparelhos  mais recentes possuem o hardware interno necessário para atender às demandas mais elevadas de processamento de IA, então só quem tem um iPhone 15 Pro, Pro Max ou posterior (incluindo, é claro, os novíssimos iPhone 18 Pro e o iPhone Duo), vão ver a nova Siri.

Mais contexto pessoal

A grande mudança é que a Siri AI vai a conhecer tudo sobre a vida de quem usa o iPhone. Assim que ela é ativada, ela vai passar um tempo indexando suas mensagens, e-mails, calendário e o que estiver guardado no aparelho — tudo é processado localmente, sem mandar nada para os servidores da Apple.

Na prática, significa que dá para perguntar algo como “que dia é minha avaliação de desempenho no trabalho?” ou “onde eu disse que ia encontrar minha mãe hoje?”, e a assistente cruza as informações sozinha, sem precisar abrir o app certo.

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O mesmo vale para fotos e vídeos. No app Fotos, basta pedir para a Siri AI separar as imagens do seu pet, resgatar as fotos da última viagem ou juntar todos os cliques de árvore que você tirou — em linguagem natural, sem filtro nem palavra-chave.

Ela enxerga o que está na tela

A Siri AI sabe o que você está olhando quando usa seu iPhone. Se antes você precisava tirar um print e mostrar para a Siri; agora, ela acompanha o que aparece na tela e responde sobre aquilo na hora.

No Safari, dá para chamar a assistente e pedir um resumo de uma página, ou identificar um monumento numa foto dentro de uma matéria. Também é possível perguntar o que uma opção nos Ajustes significa, ou pedir mais detalhes sobre um jogo antes de baixar na App Store.

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A mesma leitura visual vai estar presente na Câmera: trocando para o modo Siri ao lado do obturador, é possível apontar para qualquer coisa no mundo real e perguntar a Siri sobre ela (como a tabela nutricional de um prato no cardápio, por exemplo).

Escrita e edição de texto própria

A versão anterior da Siri até gerava texto, mas terceirizava a tarefa para um plugin do ChatGPT. A nova Siri AI escreve e edita mensagens e e-mails por conta própria, sem ajuda de terceiros.

Basta chamar a assistente ou tocar no link “Escrever com a Siri”, descrever o que quer dizer ou as mudanças desejadas. Dá para pedir um o texto mais formal, mais informal, mais longo ou mais curto, ou transformar uma nota rápida em parágrafos completos.

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A palavra final continua sendo de quem escreve: dá para revisar cada edição sugerida e navegar entre as versões anteriores do texto, indo e voltando nas alterações.

Mais ação dentro dos apps

A Siri AI também ganhou mais autonomia para agir dentro dos aplicativos, não só para buscar informação neles. Dá para criar eventos na agenda ou trocar de playlist só de pedir, por voz ou por texto.

Parte disso já existia na Siri antiga, sim, mas agora a promessa é ir mais fundo e aceitar comandos com linguagem mais solta — como se você estivesse entregando seu celular e pedindo a tarefa para uma pessoa de verdade, e não digitando um comando específico para um robô

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A assistente também passa a sugerir ações sozinha. Se alguém manda uma data e horário por mensagem, ela sugere criar um evento no calendário. A Apple promete, com o tempo, aprofundar essas integrações com apps de terceiros também.

Um app só para ela

Pela primeira vez, a Siri tem aplicativo próprio. Ele reúne o histórico de conversas e sincroniza as buscas entre os aparelhos Apple de quem usa. É um recurso que o Gemini, ChatGPT e Claude já ofereciam havia tempo, e que faltava na experiência da assistente da Apple.

Fica ali, junto disso, o que a Apple chama de “amplo conhecimento de mundo”: perguntas soltas sobre a história de Roma ou como consertar uma torneira pingando devem render respostas mais completas dentro do app.

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Ajustando o jeito de falar

Esse recurso pede ainda mais poder de processamento, então só está nos aparelhos mais poderosos — os iPhones anunciados em 2026, além do 17 Pro, 17 Pro Max e do iPhone Air.

Dá para ajustar o tom, a velocidade e o que a Apple chama de “expressividade” das respostas faladas da Siri AI; ou seja, dá para calibrar a personalidade da assistente até certo ponto, e trocar de voz. As opções ficam em Ajustes > Siri, onde também é possível escolher a voz padrão e por quanto tempo o histórico de conversas fica guardado.

E o Brasil?

A nova arquitetura por trás de tudo isso, segundo o anúncio oficial da Apple, foi desenvolvida em parceria com o Google e os modelos Gemini. A Siri AI começa em inglês, com beta já liberado. O português do Brasil entra no ciclo seguinte, junto com francês, japonês, coreano e espanhol, previsto para outubro. A gente já volta com uma nota só sobre a chegada da versão brasileira quando ela sair do papel.

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