Google Assistente vai sumir do Android em setembro e ser substituído pelo Gemini
A partir de 4 de setembro, o Gemini assume sozinho como assistente em celulares, tablets, relógios e fones de ouvido, sem opção de voltar atrás.
O Google começou a avisar usuários por email que vai desligar o Assistente em dispositivos móveis a partir de 4 de setembro, segundo apurou o 9to5Google. A partir dessa data, quem ainda não migrou será empurrado de vez para o Gemini.
Desde que o Gemini entrou em campo, os dias do Google Assistente estavam contados. Agora, a empresa finalmente está dando os passos finais do desligamento. “Começaremos a remover o acesso ao Google Assistente a partir de 4 de setembro”, afirma o Google no email, “e prevemos que esse processo poderá levar algumas semanas para chegar a todos. Assim que a disponibilidade for removida, você não poderá mais usar nem voltar a utilizar o Google Assistente em seu smartphone, tablet ou dispositivos emparelhados.”
A mudança atinge, principalmente, celulares e tablets Android, relógios com Wear OS e fones de ouvido pareados. Por enquanto, ficam de fora os dispositivos com Google TV, as caixinhas de som Google Home e carros com o Android Auto nativo.
Desde 2025, o Google oferece a escolhe entre usar o Gemini ou voltar para o Assistente tradicional quando a IA não entrega o que você queria. Esse aviso prévio da demissão do Assistente estava inicialmente previsto para terminar ainda em 2025, mas foi esticado até agora. A empresa deve ter levado mais tempo para adaptar o Gemini para as tarefas simples do dia a dia que o Assistente cuidava.
O problema é que o Gemini ainda não cobre 100% do que o Assistente fazia. Segundo o próprio Google, algumas ferramentas seguem sem suporte no Gemini. Até então, a solução oficial da empresa para quem precisava de um recurso ausente era voltar para o Assistente. Mas, assim que a migração acontecer, essa porta vai se fechar.
Para Jennifer King, pesquisadora de privacidade e dados na Universidade Stanford, a IA generativa do Gemini pode ser mais capaz do que o Assistente e, ao mesmo tempo, ser menos competente em responder aos pedidos simples e previsíveis que muitos dos usuários precisam.
“Você não está fazendo uma pergunta, você está dando uma ordem”, diz ela. “Eu só quero que ele acenda as luzes. Ele precisa ser meio ‘burro’.”
O Assistente funcionava bem com instruções específicas porque não precisava interpretar muito além do comando do usuário. A adição de recursos generativos cria o risco do sistema complicar demais pedidos que, anteriormente, eram resolvidos de forma consistente e sem drama.
O Google não é o único a aposentar seu assistente de primeira geração: a Microsoft encerrou o app da Cortana em 2023, a Amazon reconstruiu a Alexa em torno de IA generativa com a Alexa+ (hoje disponível para uma base de mais de 600 milhões de dispositivos) e a Apple prepara a Siri AI. O Assistente, lançado em 2016, termina a vida como mais um nome na lista do cemitério do Google, lista de produtos cancelados que já reúne Stadia, Hangouts e o Google Podcasts.





