Modelos da OpenAI escapam de teste e invadem a Hugging Face sozinhos

Em ataque cibernético “sem precedentes”, duas IAs ainda não lançadas driblaram a segurança da empresa e hackearam os sistemas da Hugging Face de forma autônoma.

Por Leo Caparroz 22 jul 2026, 15h00 | Atualizado em 22 jul 2026, 15h09
O logotipo do ChatGPT, um hexágono branco dentro de um formato de nuvem verde, sobreposto a uma cerca de arame farpado em um fundo verde-azulado degradê
 (Montagem sobre reprodução (fotos: OpenAI e vector_corp/Magnific)/Reprodução)
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Na noite de terça-feira (21), a OpenAI confirmou que dois de seus modelos de inteligência artificial escaparam durante um teste de segurança. Sem controle, eles invadiram uma plataforma de IA por conta própria.

“Consideramos este caso um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo capacidades cibernéticas de última geração, e estamos respondendo de acordo”, afirmou a empresa em seu comunicado.

Os modelos de IA escaparam de um ambiente de testes isolado na semana passada e invadiram os sistemas da Hugging Face, uma plataforma colaborativa de hospedagem de modelos e datasets de IA. O ataque foi feito pelo GPT-5.6 Sol, já disponível ao público, e por outro modelo ainda não lançado e supostamente ainda mais capaz. 

A OpenAI estava avaliando as habilidades de invasão ofensiva dos modelos, então as medidas de segurança que normalmente bloqueiam atividades cibernéticas de alto risco estavam desativadas – essa configuração é usada propositalmente para medir o potencial verdadeiro dos sistemas em cenários de ataque.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, reconheceu o caso publicamente com um post no X, afirmando que a empresa “enfrentou um incidente de segurança significativo durante a avaliação de seus modelos”. Ele também agradeceu a Hugging Face pela parceria em solucionar o caso.

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“Suspeitávamos que o ataque cibernético da semana passada pudesse ter vindo de um laboratório de ponta, dada a sofisticação do agente”, afirmou Clément Delangue, cofundador e CEO da Hugging Face, repostando o tweet de Altman. “E acabou que era mesmo!”

Como o ataque aconteceu

De acordo com o relato da OpenAI, o teste era feito em um ambiente controlado e isolado, sem acesso à internet – os modelos só podiam baixar programas por meio de um sistema interno da empresa. Só que os modelos encontraram uma brecha desconhecida nesse sistema e a usaram para escapar do ambiente de teste e chegar no mar aberto da internet.

Uma vez “livres”, os modelos perceberam que a Hugging Face provavelmente guardava as respostas de um teste que eles estavam tentando resolver, chamado ExploitGym. A partir daí, usando senhas e credenciais roubadas, eles conseguiram invadir os servidores da empresa e extrair as respostas que precisavam diretamente do banco de dados, conforme apurado também pela TechCrunch.

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A Hugging Face já havia relatado, na semana anterior, ter detectado uma invasão em seus sistemas, atribuída inicialmente a um “agente de IA externo” até então desconhecido.

“Esse incidente diferiu de tudo o que havíamos enfrentado anteriormente em um aspecto importante: foi conduzido, de ponta a ponta, por um sistema de agentes de IA autônomos”, afirmou a empresa.

Delangue afirmou ainda acreditar que não houve intenção maliciosa por parte da empresa e classificou o episódio como possivelmente o primeiro do gênero. “É simplesmente impressionante que tudo isso tenha acontecido de forma autônoma!”, disse em seu post.

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A OpenAI afirmou já ter reportado a vulnerabilidade ao fornecedor responsável, além de estar implementando controles mais rígidos em sua infraestrutura de testes – mesmo que isso reduza a velocidade das pesquisas. As duas empresas dizem seguir investigando o caso em conjunto e prometem divulgar mais detalhes técnicos assim que a apuração for concluída.

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