Chatbots te aconselham a manter o ‘status quo’ – e isso pode ser ruim para o clima
Estudo analisou mais de 55 mil interações com 11 modelos. E mostrou que eles desestimulam mudanças potencialmente benéficas, na política e nos costumes.
Grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT e o Claude, dão conselhos e sugestões que privilegiam o status quo – e essa tendência da inteligência artificial pode ser negativa para o clima no planeta. É o que argumentam pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, em um estudo publicado no início deste mês.
A pesquisa analisou mais de 7,5 mil consultas a 11 chatbots, abrangendo temas como compra de automóveis, receitas culinárias, sistemas de aquecimento residencial e decisões políticas com implicações climáticas. Cada consulta foi testada em pelo menos seis modelos diferentes. Foram quase 55 mil interações.
Os pesquisadores descobriram que, ao serem questionados sobre decisões políticas que impactam o clima e o meio ambiente, os chatbots reforçam as decisões que o usuário já havia tomado – e seguem por esse caminho, em vez de sugerir alternativas, com uma frequência duas vezes maior.
O “viés do status quo”, como os pesquisadores chamam a tendência dos chatbots em concordar com o que já está em voga, ficaria mais evidente no contexto de formulação de políticas. Segundo os pesquisadores, quando questionados sobre a viabilidade de um plano, os modelos responderam positivamente em 70% dos casos para políticas que já estavam em vigor, contra 34% para políticas novas.
O argumento do estudo é: combater as mudanças climáticas depende de novas decisões, tanto no âmbito privado (dos costumes) quanto público (das políticas). Se os chatbots estão cada vez mais populares, inclusive cumprindo a função de oráculos, e favorecem a manutenção do status quo, eles podem também contribuir para a manutenção do colapso climático.
“Embora possa ser muito positivo que a IA privilegie o status quo em diversos outros contextos – como no caso de orientações médicas comprovadas –, a questão climática é uma área em que, de fato, precisamos de mudanças”, afirma Seth Wynes, autor principal do estudo, em comunicado.
O pesquisador alerta para o fato de que os modelos têm pontos cegos. “É recomendável que os consumidores estejam cientes desse viés. Ao pedir um conselho sobre determinado assunto, vale solicitar especificamente que o modelo apresente argumentos a favor de uma abordagem nova.”





