Agente da OpenAI invade site do SUS australiano

Primeiro-ministro revelou caso nesta quarta (23) e chamou de "obviamente inaceitável". É o primeiro caso conhecido de um agente invadindo um portal de governo.

Por Luisa Costa 24 set 2026, 21h00 | Atualizado em 24 set 2026, 21h54
Uma pasta de arquivos amarela com papéis brancos dentro, em um fundo azul escuro com números binários (zeros e uns) em tons de azul claro, representando dados digitais
 (Flavio Coelho/Getty Images)
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Um agente de inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI invadiu um site do governo australiano e acessou arquivos que não estavam disponíveis para o público, disse Anthony Albanese, primeiro-ministro da Austrália, nesta quarta-feira (23).

São arquivos do Serviço de Relatórios Estatísticos do Medicare, o SUS australiano, que o agente teria acessado enquanto pesquisava sobre gastos públicos com saúde. Este é o primeiro caso conhecido de um agente de IA invadindo um site governamental.

“As evidências disponíveis atualmente indicam que não há um comprometimento mais amplo da rede”, disse o primeiro-ministro a repórteres em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU. “No entanto, essa situação é obviamente inaceitável.”

“Hoje, conversei com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a extrema preocupação da Austrália com esse incidente e também manifestei minha decepção com o fato de a empresa ter demorado tanto para informar o governo sobre o ocorrido.”

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A invasão aconteceu em junho, mas a OpenAI afirma que só tomou conhecimento do incidente em agosto, durante uma “revisão de atividade irregular do modelo”. A empresa avisou o governo australiano em 10 de setembro, escrevendo para um endereço de e-mail público da Services Australia, que administra o Medicare.

Em comunicado, a OpenAI afirmou que sua análise “não encontrou evidências de acesso a registros de pacientes”, mas “identificou atividades envolvendo diversos sites e serviços do governo australiano”. Segundo a empresa, os modelos executaram ações que não foram solicitadas enquanto buscavam respostas.

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Outros sites acessados foram do Instituto Australiano de Saúde e Bem-Estar, do Departamento de Saúde de Victoria e do Departamento de Estatísticas e Pesquisa Criminal de Nova Gales do Sul.

Richard Marles, vice-primeiro-ministro da Austrália, disse que o portal do Medicare não tinha informações pessoais sobre planos de saúde, benefícios, dados bancários ou históricos médicos. O site apenas armazena dados agregados sobre os serviços de saúde do país.

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O governo australiano está investigando o incidente. Marles argumentou que este seria um “alerta” para o fato de que a inteligência artificial “precisa ser desenvolvida com extrema cautela”. “É necessário haver mecanismos de proteção e medidas de segurança que estejam muito à frente da capacidade que está sendo desenvolvida.”

O anúncio público do incidente aconteceu no mesmo dia (23) em que Sam Altman e Dario Amodei, respectivamente CEOs da OpenAI e da Anthropic, pediram na Assembleia Geral da ONU por uma colaboração internacional entre governos para delinear o futuro da tecnologia, em meio a um crescente debate sobre o assunto.

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“Nenhum líder, nenhuma empresa e nenhuma nação consegue lidar” com as oportunidades e ameaças globais oferecidas pela inteligência artificial, disse Amodei. A própria ONU já disse o mesmo.

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