SOCIEDADE

O que é 'AI slop'?

O que é 'AI slop'?

Por Leonardo Caparroz

O dicionário Merriam-Webster elegeu 'slop' como a palavra do ano em 2025. O significado? "Conteúdo digital de baixa qualidade, geralmente produzido em escala por meio de inteligência artificial."

A palavra costuma se referir à avalanche de vídeos e imagens absurdos e mal-acabados que invadiram as redes sociais desde que a IA explodiu. Mas pode designar quaiquer conteúdos feitos com IA sem revisão humana adequada.

O termo 'slop' não é novo. Originalmente significa "gororoba", sendo usado para se referir à lavagem dos porcos. Com a adoção massiva da IA, passou a designar conteúdos considerados irritantes ou empobrecedores para o debate público e para a internet.

Em setembro de 2025, pesquisadores de Stanford, da Better Up e do Boston Consulting Group publicaram um artigo na revista Harvard Business Review (HBR) cunhando um termo derivado: 'workslop', a lavagem específica do contexto de trabalho.

No artigo, os pesquisadores definem workslop como um "conteúdo gerado por IA que se disfarça de um bom trabalho, mas carece da substância necessária para avançar uma tarefa de forma significativa”.

São slides com uma formatação legal, relatórios longos e articulados, resumos bem estruturados ou linhas de código aparentemente funcionais. Mas a qualidade fica só na superfície: o trabalho não tem conteúdo o bastante para ser útil de verdade.

Segundo dados da McKinsey, 79% dos profissionais de escritórios nos EUA afirmam que suas organizações usam IA generativa em pelo menos uma função do negócio.

Já segundo um relatório do MIT, 95% das empresas que incorporaram IA às suas atividades não tiveram retorno desse investimento. E, de acordo com o artigo publicado na HBR, 40% dos profissionais já receberam workslop de um colega de trabalho.

A parte mais traiçoeira do workslop é que ele joga o esforço para outra pessoa. Quem recebe o conteúdo malfeito precisa corrigir e até refazer o trabalho. Isso afeta os profissionais de duas formas: na produtividade e nos relacionamentos interpessoais.

“Sempre houve trabalho malfeito. Somos propensos à procrastinação, a atalhos, a nos entregarmos a tarefas burocráticas em vez de pensarmos com cuidado quando estamos cansados”, afirmam os pesquisadores no artigo da HBR.

“A IA generativa nos oferece uma nova tecnologia para nos entregarmos aos mesmos velhos maus hábitos – mas agora com o custo adicional de criar mais trabalho para nossos colegas e minar a colaboração em larga escala."

Saiba mais: leia a matéria completa no site da VC I.A.

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