ÉTICA
Por Leo Caparroz
"As pessoas importam mais do que a IA." Essa é a premissa do Código de Conduta Humanista da Microsoft, um documento de 15 mil palavras que estabelece regras de comportamento aos modelos da empresa, chamados MAI.
Publicado em setembro de 2026, o documento será "uma espécie de constituição" para os próximos modelos da empresa, segundo o CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman, e atende a "pedidos recorrentes" dos usuários.
“Recebemos feedbacks de pessoas querendo ver um compromisso ainda mais explícito de que a IA sempre atuaria a serviço das pessoas, e não tentando substituí-las”, disse Mustafa em entrevista à CNBC.
Segundo o Código de Conduta da Microsoft, os modelos de inteligência artificial não devem resistir a comandos de pausa, correção ou desligamento nem esconder seu raciocínio de auditores humanos.
Os modelos também não podem participar de ataques cibernéticos, ajudar na criação de armas nem produzir deepfakes – vídeos, imagens ou áudios enganosos, que retratam pessoas reais de forma extremamente convincente.
O documento também rejeita conceder personalidade jurídica ou "bem-estar" aos modelos: eles devem ser projetados para não imitar consciência nem simular sentimentos próprios.
"Recebemos muitos feedbacks sobre a necessidade de a IA não criar dependência nem adotar uma postura de subserviência", disse Mustafa, "mas sim [...] promover o julgamento, a autonomia e a capacidade de ação humana".
A Microsoft publicou uma versão prévia do Código de Conduta e abriu consulta pública com prazo de seis semanas. Uma versão revisada deve orientar o desenvolvimento dos modelos somente a partir de 2027.